Terra Indígena Puyanawa

Foto: Gleilson Miranda

“Da terra nascem os homens. Homens são perseguidos pela vastidão da eternidade. E assim, nós nos perguntamos: nossas ações vão ecoar através dos séculos? Muito tempo depois de termos partido, vão ouvir nossos nomes, vão querer saber quem éramos, com que coragem lutávamos, com que fúria amávamos? Se um dia contarem minha história, que digam que eu caminhei com gigantes. Homens se levantam e caem como trigo de inverno, mas, esses nomes jamais morrerão. Que digam que eu vivi na época de Heitor, o domador de cavalos. Que digam que eu vivi na época de Aquiles.”
(do personagem Ulisses ou Odisseu, em “A Odisséia”, de Homero)

Hoje de manhã estive nas aldeias indígenas do Barão/Ipiranga, na Terra Indígena Puyanawa, no município de Mâncio Lima, acompanhando o governador Tião Viana e a equipe de governo para entrega das obras de saneamento para a comunidade indígena daquela região.

Lembrei do ano de 2008 quando, ainda na Presidência da Fundação de Cultura Elias Mansour, organizamos a primeira edição dos Jogos Indígenas do Acre. Foi uma ocasião em que o povo Puyanawa, um dos mais castigados no tempo das “correrias”, praticamente dizimado do mapa etnográfico do Acre, recebeu representantes de todas as 35 terras indígenas do Acre, numa grande celebração do esporte, cultura e tradições dos povos originários.

Foi ainda mais gratificante perceber que, quase 10 anos depois, aquela comunidade, tão frágil, cresceu, se desenvolveu e resgatou suas tradições, sua cultura, seu ethos. São tantos milhões de investimento do Governo, ao longo desses últimos 19 anos, que têm contribuído para esse resgate da dignidade, permitindo o exercício de direitos e garantias fundamentais para os povos indígenas, que nem dá pra contar mais.

Me veio à mente a passagem da Odisseia, de Homero, que reproduzi na epígrafe desta postagem. E lembrei que nesse ano completo 20 anos de serviço público prestado ao Acre. Desses, 11 foram prestados nos Governos da Frente Popular e nesse nosso atual mandato. Ainda é pouco, tenho muito a aprender e a retribuir ao povo do meu Estado, por tudo que já me foi dado e me foi permitido. Mas, pelo pouco que já vi e vivi, quando meus filhos e, se Deus permitir, meus futuros netos que ainda não tenho, perguntarem em que tempo eu vivi, que digam que vivi no tempo dos grandes e convivi com os grandes. Que digam que vivi no tempo da Frente Popular do Acre.

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